Cabaret retoma temporada de sucesso!

em 09/jan/2012 em Blog por Dennys Távora | Sem comentários »

Depois de uma breve interrupção para as festas de final de ano, volta ao Teatro Procópio Ferreira, no dia 12 de janeiro, o musical Cabaret, protagonizado por Cláudia Raia.

Fui assisti-lo ainda em novembro, mas os detalhes do espetáculo permanecem bem vivos na minha memória e me permitem, embora com algum atraso, tecer as minhas impressões sobre o que vi e senti.

O musical Cabaret foi inspirado no romance de Christopher Isherwood, e tem músicas de John Kander e letras de Fred Ebb. Foi encenado pela primeira vez na Broadway em 1966, alcançando grande sucesso. Recebeu nada mais, nada menos do que oito prêmios “Toni Award” (o Oscar do teatro musical norte-americano), tornando-se um dos mais bem sucedidos musicais de todos os tempos.

Anos mais tarde, em 1972, o filme produzido por Bob Fosse mostrou-se uma das mais felizes transposições dos palcos para a tela e não ficou atrás em premiações, levando também oito estatuetas no Oscar, além de ter consagrado Liza Minnelli.

A atual produção brasileira de Cabaret é da própria Cláudia Raia e de Sandro Chaim, da Chaim Produções, responsável pela montagem dos musicais “Hairspray”, “A Gaiola das Loucas”, “Alladim” e “Tim Maia – Vale Tudo”, dentre outros.

As versões do texto e das músicas ficaram a cargo de Miguel Falabella. Admito que nem sempre me agradam as versões de musicais realizas por Falabella, mas tenho de reconhecer, desta vez, que ele fez um brilhante trabalho, encontrando ótimas soluções na passagem para a língua portuguesa de canções como “Money” (“Grana”, na versão em português) e “Mein Herr”. A direção do espetáculo ficou a cargo de José Possi Neto, que também realizou um competente trabalho.

O Teatro Procópio Ferreira não é o melhor e mais moderno espaço para abrigar um musical desse porte, mas não compromete o espetáculo e, curiosamente, cria um ambiente mais próximo de um verdadeiro cabaret, o que dificilmente aconteceria se fosse encenado num dos grandes teatros da cidade. O palco, montado em leve formato de “U”, foi avançado para abrigar os vinte e um atores e a orquestra de catorze músicos, sacrificando alguns lugares da platéia. Foi realizado, também, um pequeno avanço lateral do palco para a colocação de mesas, sendo que as mais distantes do lugar onde se desenrolam as cenas são ocupadas pelo próprio público e as demais por alguns atores, acentuando a atmosfera de cabaret que as dimensões modestas do teatro já criavam. Os cenários de Chris Aizner e Nilton Aizner são belos, adequados e bastante funcionais, sobretudo quando consideradas a grandeza do espetáculo e as limitações do teatro.

Ambientada em grande parte no Kit Kat Club, uma casa noturna de Berlim, em 1931, época do início da ascensão nazista, a trama gira em torno do relacionamento da inglesa Sally Bowles, estrela do cabaret, com o escritor norte americano Cliff Bradshaw, que viaja ao redor do mundo em busca de uma estória. Paralelamente ao romance desse casal, há ainda o relacionamento entre a alemã Fraülein Scheneider e o comerciante de frutas judeu Herr Schultz, em torno dos quais a questão do início da perseguição aos judeus é abordada.

Em Cabaret, Cláudia Raia, no seu décimo musical, realiza o sonho que a acompanhou por mais de vinte anos de interpretar Sally Bowles. Em 1989, ela já havia recebido um convite de Jorge Takla para interpretar a mesma personagem na única montagem de Cabaret anteriormente realizada no Brasil. Na atual montagem, ela construiu Sally Bowles de um jeito próprio. É mais cômica e irônica, por exemplo, do que a personagem feita por Liza Minelli no cinema. Como excelente bailarina que é, entusiasma a platéia com movimentos elegantes e sensuais, exibindo as suas pernas famosíssimas e um corpo de dar inveja em garotas bem mais jovens. Como cantora, não chega a impressionar e, algumas vezes, mostra dificuldade com as notas mais altas. Porém, é de se admirar a sua coragem em não alterar o tom das canções que interpreta para adequá-lo ao seu tipo de voz. Já vi algo assim num outro musical e o resultado foi desastroso. Mas Cláudia Raia, não! Ela encara os agudos sem medo e, quase sempre, sai-se muito bem. No conjunto, o seu carisma, a sua grande presença de palco, a sua competência como bailarina e o seu talento cômico e dramático compensam com sobras as suas limitações como cantora. O arrebatamento da platéia é inevitável! Delicie-se com um pouco do maravilhoso trabalho de Cláudia Raia em Cabaret no vídeo a seguir.

Embora a montagem brasileira de Cabaret esteja em grande parte voltada para fazer brilhar Cláudia Raia, quem efetivamente se destaca no espetáculo é o excepcional Jarbas Homem de Mello no papel de MC, o mestre de cerimônias do Kit Kat Club, que também exerce o papel de narrador da estória. Vestido apenas de sunga, suspensórios e um fraque transparente, com o seu potencial vocal notável, o seu corpo forte e bem definido e o seu impressionante talento como bailarino, dá ao personagem um tom mais sensual do que fez Joel Frey no cinema, mas sem jamais perder a elegância. Com enorme vigor, muito charme, carisma e impressionante presença de palco, Jarbas diverte, prende a platéia e a envolve na atmosfera do espetáculo, permitindo-se, ainda, algumas cenas de interação improvisada com a platéia. Sua brilhante atuação, inclusive, rendeu-lhe a indicação para o prêmio Shell de melhor ator dentre as estréias do segundo semestre de 2011 em São Paulo. Veja um pouco da apresentação do fantástico Jarbas Homem de Mello no vídeo a seguir.

Guilherme Magon, por sua vez, assumiu o papel de Cliff Bradshaw em substituição a Reynaldo Gianecchini, que precisou deixar o espetáculo para tratar um câncer linfático (muita força, fé e energias positivas para ele!). O jovem ator de 25 anos participa de seu segundo musical. Antes, integrou o elenco de Mamma Mia. Sua atuação é correta, mas sem o mesmo brilho dos demais colegas de palco. Júlio Mancini, por exemplo, como Ernest Ludwig, tem um papel menor no espetáculo, mas se destaca quando contracena com Magon. Na parte vocal, embora cante muitos poucos versos, mostra ter um bom potencial.

Notável, também, é a atuação do casal romântico formado pelos experientes Marcos Tumura (protagonista em diversos musicais, como “Les Misérables” e “Miss Saigon”), como Herr Schulz, o comerciante de frutas judeu, e Liane Maya, no papel da alemã Fraulein Schneider. Ambos mostram que a velha guarda, pioneira dos grandes musicais brasileiros, ainda esbanja talento e emociona a platéia. Excelentes!

Merece destaque, também, Kátia Barros, outra experiente atriz de musicais, no papel da libertina Fraulein Kost, além do jovem Mateus Ribeiro, que impressiona no papel de um escoteiro nazista ao cantar maravilhosamente o “Hino do renascimento” (“Tomorrow belongs for me”). Sua interpretação é tão verdadeira que, paradoxalmente, não arranca aplausos efusivos da platéia, que parece ter sido tomada de aflição ao perceber a ingenuidade do jovem nazista. Méritos de uma interpretação marcante!

Os dançarinos, sem exceção, são excelentes e de alto nível. Fabieane Bang e Luciana Milano arrasam em “Two Ladies”, assim como Luana Zenun, Carol Costa, Hellen de Castro e Raquel Quarterone nos demais números. Daniel Monteiro, Leo Wagner, Rodrigo Negrini, Alberto Goya e Mateus Ribeiro, que também faz o papel do escoteiro nazista já comentado, também são fantásticos. Todos trajam poucas roupas, mas esbanjam na energia, na sensualidade e no contato físico durante as maravilhosas coreografias dirigidas pelo excelente Alonso Barros.

Os cento e cinqüenta belíssimos figurinos foram elaborados por Fábio Namatame e vão de minúsculos trajes (a maioria) a um com 20 mil cristais Swarovski, vestido por Cláudia Raia ao cantar a música “Grana” (“Money”). A iluminação do premiadíssimo Paulo César Medeiros, que também recebeu uma indicação para o prêmio Shell por seu trabalho em Cabaret, está excelente, assim como a direção musical e vocal de Marconi Araújo.

O musical Cabaret retoma a temporada no dia 12 de janeiro de 2012 e fica em cartaz até 26 de fevereiro de 2012. Depois, parte para uma temporada no Rio de Janeiro.

Bienvenus au Cabaret!

 

SERVIÇO:

Temporada de 12 de janeiro a 26 de fevereiro de 2012

Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, nº 2.823
Tel: (11) 3083-4475

Quintas, às 21h. Sextas, às 21h30. Sábados, às 18h e 21h30. Domingos, às 18:00

Ingressos: de R$ 40,00 à R$ 200,00

Vendas pela internet: http://www.ingressorapido.com.br
Duração do espetáculo:
2h30
Censura: 14 anos

 

 

Deixe um comentário